segunda-feira, 19 de março de 2012

Audiência pública discute políticas de igualdade racial



A Câmara de Vereadores promoveu na manhã desta sexta-feira (25) uma audiência pública para tratar das políticas públicas de combate ao racismo e de promoção à igualdade racial em Blumenau. Na oportunidade, o coordenador do movimento Cisne Negro, Lenilso da Silva, afirmou que o que une a população negra é o sentimento de solidariedade. “O movimento de consciência negra em Blumenau foi formado em 2003. Surgiu em um seminário na FURB a partir da constatação das péssimas condições em que vive esta população no Brasil. Instituímos desde então um fórum permanente de discussão da população negra”.
   A ideia da audiência surgiu após uma agressão a um homem negro na cidade. “Pedimos a promotoria que investigasse o caso e punissem os dois responsáveis. E este não foi o primeiro caso de racismo. Tivemos aqui no município a única santa negra da história católica pintada de branca. No desfile da Oktoberfest, representou-se através de um senhor negro a época da escravidão. É claro que não vamos esquecer esta época, mas não precisamos perpetuá-la”.
   Para Lenilso, apesar das dificuldades, o movimento já registrou alguns avanços, como a criação da Secretaria Nacional de Igualdade Racial; a lei 11645, que incluiu nos currículos escolares a história dos indígenas e dos negros; e a Política Nacional Integral de Saúde da População Negra. “Com isto, a nossa realidade ficou um pouco melhor. Apesar de que em Santa Catarina e em Blumenau ainda não seja como queremos”, registrou.
   Emocionado por estar na ‘Semana da Consciência Negra’, o coordenador da Rede de Educação Cidadã do Núcleo de Blumenau, Sérgio Maurício Bernardo, afirmou que as palestras o fazem pensar na construção da vida. “Os movimentos tem muita contribuição a dar. Não tem um direito que não foi conquista das lutas de classe”, disse. Além disso, ele criticou a falta de políticas públicas para comunidade excluída e de vereadores que se comprometam com esta população. “O que me entristece é não ver o envolvimento da Secretaria de Educação, na Semana da Consciência Negra”, lamentou a presidente do Sindicato Unido dos Trabalhadores Públicos Sueli Adriano. “Espero que no próximo ano, o plenário esteja lotado”, disse. Também observou que os 41 mil habitantes negros de Blumenau estão muito bem representados pelo líder do Grupo Cisne Negro, Lenilso da Silva.
   De acordo o representante da secretaria de educação, Morche Ricardo Almeida, a luta do povo negro brasileiro parece não ter fim. “É uma luta por igualdade”, afirmou. Morche é também coordenador do curso de História da Semascri e presidente do Fórum Parlamentar das relações Etinicorracionais de Santa Catarina e elogiou o trabalho feito por Lenilso da Silva. “Não é minha geração que encerra esta luta, mas nós neste momento somos o alicerce para esta luta”, observou.
   Marcos Pinar, o Marcão, membro da Ufeco – União Florianopolitana das Entidades Comunitárias, ressaltou a importância da integração de políticas e experiências. Ele destacou que o trabalho feito em Florianópolis nasceu com muita luta, iniciada com a eleição do primeiro vereador negro da capital – Marcio de Souza, que abraçou a causa que resultou na criação de uma Coordenadoria de Igualdade Racial. Conforme Marcão, “existem dados que comprovam que ainda muita há diferença de tratamento entre as pessoas, em prejuízo dos negros”. Também lamentou a tentativa de acabar com o feriado de Zumbi dos Palmares, observando que as entidades de classe nunca questionaram os feriados católicos comemorados no país.
   Representando a Polícia Militar, o major Carlos Alberto, afirmou que, como forma preventiva, a instituição, no dia 22 de novembro, em Florianópolis, fez um painel com os grupos considerados vulneráveis e minoria. “Já faz parte do curso de formação dos policiais uma disciplina voltada a este tema, visando mudar a consciência e a atuação técnica. Procuramos tratar todos de forma igual”, ressaltou.
   A coordenadora de Políticas de Promoção de Igualdade Racial de Florianópolis, Ana Paula Lima, também se fez presente. Para ela, o contexto histórico de 100 anos de resistência conta muito para entender em que situação o movimento negro se encontra hoje. “O Brasil participa neste ano de uma conferência internacional deste tema e possui muitos delegados. Isto faz com que o país tome algumas atitudes. Tornando-se signatário em 2001 deste congresso, recebeu uma série de encaminhamentos para o país. Neste mesmo ano, o estado brasileiro se reconhece publicamente como racista”.
   A ex-vereadora Maria Emília de Souza declarou que “é preciso que este seja o século da sensibilidade”. Ela apontou que à medida que o Brasil assume ser um país racista, “através dos dados da desigualdade que vive a população negra”. Também chamou a atenção para as responsabilidades do estado brasileiro nas três esferas. Já o vereador Vânio Salm (PT), mesmo de origem alemã, declarou que sua família o ensinou a contribuir e não fazer distinção de forma alguma. Também afirmou que a igreja apóia a união dos povos. 

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